curioso(s) online
“Não sou escravo de ninguém, nem senhor do meu domínio. Sei o que devo defender, e por valor eu tenho e temo o que agora se desfaz. Viajamos sete léguas por entre abismos e florestas… Por Deus, nunca me vi tão só. É a própria fé o que destrói. Estes são dias desleais. Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão. Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão. Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão. Reconheço meu pesar quando tudo é traição. O que venho encontrar é a virtude em outras mãos. Minha terra é a terra que é minha e sempre será. Minha terra tem a lua, tem estrelas… E sempre terá. Quase acreditei na sua promessa, e o que vejo é fome e destruição. Perdi a minha sela e a minha espada. Perdi o meu castelo e minha princesa. Quase acreditei, quase acreditei e, por honra, se existir verdade, existem os tolos e existe o ladrão. E há quem se alimente do que é roubo, mas vou guardar o meu tesouro caso você esteja mentindo. Olha o sopro do dragão. É a verdade o que assombra, descaso que condena, a estupidez o que destrói. Eu vejo tudo que se foi e o que não existe mais. Tenho os sentidos já dormentes. O corpo quer, a alma entende. Esta é a terra-de-ninguém. Sei que devo resistir, eu quero a espada em minhas mãos. Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão. Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão. Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão. Não me entrego sem lutar, tenho, ainda, coração. Não aprendi a me render… Que caia o inimigo então. “Tudo passa, tudo passará…” E nossa história não estará pelo avesso, assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar. E até lá, vamos viver. Temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás, apenas começamos. O mundo começa agora…”
”Metal Contra as Nuvens”. - Renato Russo, Legião Urbana.
Prazer, Mundo. Meu nome é Dandara e eu sempre tive essa facilidade louca de me revoltar contigo. Você já deve ter ouvido minhas criticas, meus lamentos… Deve estar cansado das minhas piadas e minhas ofensas. Não me desculpo por elas. Podem ter sido precipitadas e, por muitas vezes, errôneas, mas em nenhum momento insinceras. Disse tudo aquilo que senti, tudo aquilo que pensei, que achei… Que acreditei. E aqui estou eu. Mais uma vez. Segundo os bulímicos, os viciados e até mesmo os anoréxicos, o primeiro passo é admitir que você tem um problema… E eu admito, Mundo. Nasci com parafusos a mais na cabeça, com personalidade trocada, alma trocada… Nasci errada e, chega, cansei. Ta na hora de ser concertada. Então, pergunto: Tem algum grupo de ajuda coletivo que eu possa freqüentar? Algum instrutor paciente que possa me ouvir? Tem alguém aí que possa abrir o meu peito, mudar minha cabeça e me fazer conviver com essas imperfeições absurdas com as quais me assombro todos os dias? Se tiver, me indique. Preciso me curar desse criticismo, dessa mania meio torta de ver o mundo e achá-lo errado; preciso parar de tentar moldá-lo de acordo com as minhas concepções caretas e antiquadas, parar de me esconder de você pra, quem sabe, poupar essa paciência que me parece incrivelmente limitada. Se tiver, Mundo, me salve! Deixe-me comum, normal… Deixe-me pirada, viciada e vazia como todos eles. Substitua essa sede que eu tenho de tentar entender as coisas e ponha em mim sede de vida, sede de amor, sede de liberdade… Se possível, sede eterna. Sou tua cria também e não entendo por que me fez assim, Mundo. Você conseguiu corromper a todos eles com as suas tentações e nem sequer me fez piscar. Não entendo. E também já cansei de tentar entender. Não ligo mais, não me preocupo mais… Não dou mais com a cabeça na parede. Demorou, mas finalmente percebi que o problema talvez não esteja em você. Talvez o problema esteja nessa cabeça, nesse corpo, nessa personalidade excêntrica que me deu de presente. Pois me rendo. Como disse Sêneca, faz parte da cura o desejo de ser curado e, estou aqui, de peito aberto te pedindo pra ser comum. Ninguém entende a minha diferença, ninguém a aceita, ninguém sabe lidar com ela… Quero livrá-los dessa complexidade que eu acrescento ao mundo, livrá-los da incrível frustração de não me entender. Quero ser como eles são. Eles se entendem, afinal. Suportam-se. Coisas que eu, nem com o maior dos esforços, consigo fazer. Mas é, Mundo. Por ora, chega. To chateada, estressada e beirando a histeria. Finalmente me rendo. Vamos dar um tempo, tirar umas férias… Sinto que chegou a hora de me aposentar de mim mesma. Então eu abaixo as armas e fico aqui, esperando você parar de sacanear a minha vida e pela primeira vez em muito tempo, realizar a minha vontade.
Por: Dandara S.

“Cem dias me fizeram mais velho desde a última vez que vi seu lindo rosto. Milhares de mentiras me fizeram mais frio e eu não creio que possa te olhar do mesmo jeito. Mas todas as milhas que nos separam… Elas desaparecem agora enquanto estou sonhando com seu rosto. | Tudo que eu sei, e qualquer lugar aonde eu vá. Isso se torna mais difícil, mas eu não vou desistir do meu amor. E quando o último cair, e quando tudo estiver dito e feito… Isso se tornará mais difícil, mas eu não vou desistir do meu amor.” - Here Without You - Three Doors Down.
“Diga-me por favor que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora. Nada mais tenho a ver com a validez das coisas. Estou liberta ou perdida. Vou-lhes contar um segredo: A vida é mortal. Nós mantemos esse segredo em mutismo cada um diante de si mesmo porque convém, senão seria tornar cada instante mortal. Mas se não compreendo o que escrevo a culpa não é minha. Tenho que falar pois falar salva. Mas não tenho uma só palavra a dizer. As palavras já ditas me amordaçaram a boca.
Hoje é dia de muita estrela no céu, pelo menos assim promete esta tarde triste que uma palavra humana salvaria. Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. Mas o segredo, este não vejo e nem sinto. O futuro é meu enquanto eu viver. No futuro, vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada, escrever. Eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. Aliás eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. Tudo o que nunca se fez, fazer-se-á um dia? Vejo as flores na jarra: são flores do campo, nascidas sem se plantar, são lindas e amarelas. Mas minha cozinheira disse: mas que flores feias. Só porque é difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta? O monstro sagrado morreu: em seu lugar nasceu uma menina que era sozinha. Bem sei que terei de parar. E não por causa de falta de palavras, mas porque essas coisas, e sobretudo as que eu só pensei e não escrevi, não se ousam publicar em jornais.”
Clarice Lispector.
“Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje… Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina… E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar… Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil… E choro também!” – Tati Bernardi.
Leve-me para o lugar que eu amo, leve-me por todo o caminho…
Red Hot Chili Peppers - Under The Bridge
Parto normal, bebê cabeludo, pele rosada e alguns quilos de gordura. Eu deixei a Nave-Mãe no ano de 1992, onde os protestos de Fora-Collor agitavam o país. Entre algumas teorias, alguém lá em cima me colocou como coluna para sustentar o peso de uma família complicada e de expectativas infinitas. O pilar que sustentaria uma casa, como disseram certa vez ao colocar a mão sobre a minha cabeça em um culto de igreja. E ninguém me perguntou se eu tinha vocação para base familiar ou se eu estava – psicologicamente – preparada para deixar o útero e enfrentar o mundo. Nem uma coisa, nem outra. Eu nasci às 06h40min de um sábado, dia oito de fevereiro, e o passar do tempo não permite que minha mãe me conceda mais detalhes dessa história. Sei que fui um bebe gordo e, pelo que me contam, tranqüilo. A tranqüilidade que, não muito tempo depois, originou a introspecção… E esta, por sua vez, foi precursora dessa revolta que, vez ou outra, decide me visitar.
Pois muito prazer. Sou morena, aquariana, maior de idade, vacinada e meio doida da cabeça. E essa última parte é difícil contestar. Quando tomaram aquele bebê no colo não imaginaram que, dezessete anos depois, nas aulas de biologia, ele teria pequenas crises do que a psiquiatria gosta de chamar de síndrome do pânico. Ninguém pensou que ele seria hipocondríaco e recomendado à terapia; que seria mais careta que um octogenário cansado ou que jogaria suas idéias inúteis em um blog, por que, entre outras coisas, aprendeu a dominar a incrível e inútil arte da covardia verbal.
Mas a verdade é que ninguém imagina nada e, se imagina, erra. Pra você ter uma idéia eu fui um bebê gordinho… Hoje, aos dezenove anos, o tio do relógio precisa fazer furos a mais para ele caber no meu pulso. A ausência de uma única refeição me deixa com um aspecto enfraquecido, quase anêmico. Não consigo engordar… E me desculpe, você aí que é modelo e adora xingar organismos como o meu, mas eu não tenho a receita da magreza. Se tivesse não teria pneuzinho, como boa parte das brasileiras. Minha mãe vivia falando que eu seria grande, uma jogadora de basquete. “Olha, a mão dela é grande… A médica disse que ela vai ser alta.” Pois a médica blefou. Perto das minhas amigas eu sou uma aluna de ensino fundamental. Perto das alunas de ensino fundamental, sou um desenho daqueles de palito.
O que quero dizer é que eu piro mesmo para essa história de crescer. Apesar de miúda para a idade que tenho, sou grande o suficiente para não caber dentro de uma barriga, e mesmo assim, saí de uma. Mais estranho ainda é pensar que os jogadores de basquete que a gente vê nos jogos da NBA e os caras da seleção brasileira de vôlei, também saíram do mesmo lugar, uma terra – não tão distante – chamada Úterolandia. E daí a gente olha as fotos da infância e vê nossos pezinhos, nossa boquinha tão pequena, nossos olhos quase fechados… E daí a gente olha no espelho e vê que aqueles pezinhos pequenos agora calçam sandálias em tamanho trinta e cinco e, se for tênis, o número sobe pra trinta e seis. Coisa de louco, né? Vejo meus priminhos que, outro dia mesmo tinham aquela carinha de joelho, e que hoje correm pela rua como malucos e tentam quebrar o meu lustre. Fico fascinada com essa natureza que parece pensar em tudo, não deixa nenhum detalhe pra trás e, mesmo assim, continua a nos surpreender.
Há dezenove anos ninguém podia imaginar que eu seria assim, cheia de críticas, cheia de opiniões e cheia de cansaço. E hoje, não consigo sequer cogitar como serei daqui a vinte ou trinta anos… Talvez eu seja mais alto-astral… Talvez eu descubra ao menos o que esse termo significa de verdade. O que sei é que ainda tenho os mesmos olhos curiosos daquela foto antiga, as mesmas orelhinhas pequenas e o mesmo nariz, agora decorado com um daqueles piercings de argola que todo mundo resolveu colocar – um presentinho da pós-modernidade. Pergunto-me se frustrei muita gente que esperava aquele pilar, aquela altura, aquela força toda, cuja ausência agora me esgota e me põe a escrever.
Pergunto-me se frustrei aquelas pessoas que profetizaram sobre a minha vida e que hoje não me vêem seguir, exatamente, aqueles caminhos de vitória. Porque eu não sigo por eles. Na verdade, nesse mundo cheio de opções, aonde até a sexualidade pode ser definida por uma simples ecolha, eu criei a minha própria estradinha de terra. Sigo por ela, meio distante do caos desse tráfego urbano, fazendo minhas próprias leis de trânsito e seguindo, tediosamente, rumo a um destino que, sinceramente, eu não faço a menor idéia de qual seja. E posso não saber quem eu serei no futuro, seja física, emocional ou psicologicamente falando… Mas, de alguma forma eu sei que continuarei sendo aquela tal morena, aquariana, maior de idade, vacinada e meio doida da cabeça. E por ora, isso é melhor do que nada.
Danda Santos.

“Bem vindo ao planeta. Bem vindo à existência. Todo mundo está aqui. Todo mundo está te olhando agora. Todo mundo está te esperando agora. O que acontece depois? Eu te desafio a se mexer… Eu te desafio a se levantar do chão. Eu te desafio a se mexer como se o ‘hoje’ nunca tivesse acontecido. O ‘hoje’ nunca aconteceu antes. Bem-vindo ao ‘efeito colateral’ Bem-vindo à resistência. A tensão está aqui, entre quem você é e quem poderia ser, entre como isso é e como deveria ser. Eu te desafio a se mexer… Eu te desafio a se levantar do chão, como se o ‘hoje’ nunca tivesse acontecido… O ‘hoje’ nunca aconteceu. Talvez a redenção tenha histórias pra contar, talvez o perdão está onde você caiu… Pra onde você pode escapar de você mesmo? Pra onde você vai? A salvação está aqui…”
Dare You To Move - Switchfoot.